UM LUGAR AO SOL

abril  |  2011

 


 

  •  artigo publicado na revista Let’s Go Pernambuco  —  ano 01  .  número 03
  •  acesse o artigo abaixo ou baixe o arquivo em formato PDF
Um Lugar ao Sol

Em todas as partes do Recife, há dois assuntos recorrentes, temas que servem de preâmbulo para a maioria das conversas: o quanto elevada está a temperatura e o quão difícil está o trânsito na cidade. Vira e mexe, escuta-se: que calor é esse? Ou, “levei quase duas horas para sair de lá e chegar aqui.” Frases como essas estão quase substituindo um “boa tarde”, ou um simples “olá”.

Quanto ao clima, não há muito que fazer  —  a não ser, talvez, aceitar que aqui é quente mesmo, e que, apesar das coleções de inverno apresentadas pelas inúmeras boutiques, não dá para usar nada daquilo. Mais ainda, que subir a Serra das Russas não significa poder tirar o casaco de couro do armário. Significa apenas poder usar as mesmas roupas usadas no litoral, mas sem transpirar tanto. Nossos verões são quentes, e nossos invernos são apenas menos quentes. Isso quando um não é quase igual ao outro —  ou quando não acontece em lugar do outro.

Já quanto ao trânsito …  A recente expansão econômica do estado de Pernambuco certamente enseja uma sólida e consistente atenção à nossa malha viária —  a ferroviária fica onde mesmo?  —, que seja capaz de ampliá-la e torná-la adequada às crescentes necessidades de transporte. Espera-se dos profissionais e técnicos responsáveis o discernimento para saber planejar corretamente e investir o dinheiro público nas soluções adequadas. E a lucidez para manter em bom estado de conservação o que já existe.

Há algo, entretanto, que, embora não dependa de tantos recursos, nem de tanto planejamento, poderia melhorar bastante a situação: a educação ao volante —  e, não esqueçamos, ao guidom. As regras de trânsito são claras, e é bom que seja assim. O que não é bom é que, embora claras, são apenas parcialmente observadas, respeitadas e fiscalizadas.

Ora, se falamos ao celular enquanto dirigimos, somos multados. Caso avancemos o sinal vermelho, idem. Flagrados à direção alcoolizados, Deus nos acuda. Por outro lado, em que parágrafo da lei está previsto que as mães estão liberadas para parar o carro onde bem entenderem —  o que geralmente significa no meio da rua  —  ao deixar os filhos na escola? Em que momento decidiu-se que os motoristas de ônibus  —  talvez pelo tamanho de seus veículos —  podem trocar de faixa como, quando e onde acharem por bem, sem ao menos ligar o pisca alerta?

E onde, em todo o Código Nacional de Trânsito, está escrito que as motocicletas estão absolutamente liberadas de observar o Artigo 57, Capítulo III? Aparentemente   —   e na prática  —, motociclistas, desde que estejam de capacete, podem trafegar em qualquer faixa, entre as faixas, por sobre as calçadas, praças e parques. Podem ziguezaguear, espremer-se entre veículos e cortar pelo lado que entendam. Serão não apenas tolerados, mas também não serão multados. Há uma lei paralela em que isso está previsto? Ou será que, usando capacete, o motorista de um veículo de passeio estaria liberado para beber ao volante, enquanto fala ao celular?

É bom que existam leis —  e é melhor que sejam observadas na íntegra. A observação  —  e fiscalização  —  parcial é não apenas injusta, mas pouco esclarecida. Educar-se para o trânsito é um ato cortês e civil  —  e, como geralmente esclarecimento nunca ocorre de forma isolada, talvez transbordasse e ajudasse a entender porque a saída de cena de Elizabeth Taylor é um ato muito mais digno de nota e atenção do que esses paredões televisivos. Porque é melhor rever dez vezes Gata em Teto de Zinco Quente do que assistir uma única vez a esses filmes com surfistinha no título. E o que fazer por Um Lugar ao Sol. Esse nosso lugar ao sol.

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