05 .  JANEIRO  .  2019

A deliciosa obra da alagoana Sil  —   Maria Luciene da Silva Siqueira, de Capela, Alagoas  —  é parte de vários de nossos projetos.     

Nascida em Cajueiro e criada na zona rural do município vizinho, Capela, Sil trabalhou como cortadora de cana, assim como os seus pais, até os vinte anos de idade. A falência da usina em cujas terras a jovem alagoana morava com o marido, André, fez com que o casal fosse obrigado a abandonar o lugar. À procura de trabalho, mudaram-se para a área urbana de Capela. A época foi de muitas dificuldades  —  André fazia pequenos bicos, enquanto Sil ficava em casa cuidando das filhas.

A inquietude e a vontade de ter uma profissão a levaram, todavia, a procurar o Sebrae, onde participou de várias oficinas  —  bordado, crochê e tapeçaria entre elas. Até que surgiu a oportunidade de tomar parte em uma oficina com o barro: foi aí que a jovem encontrou pela primeira vez mestre João das Alagoas. Daquele encontro nasceu uma artista de notável talento, uma das mais expressivas na arte popular do Brasil recente.

Na primeira visita que fez ao ateliê de João já foi para ficar  —  e o mestre deu ampla abertura para a jovem começar e aprender. Foi lá que Sil pela primeira vez que viu um boneco de barro em sua vida. As figuras que conhecia até então eram todas de gesso, como uma pequena estátua do Padre Cícero que havia em sua casa.

A primeira peça em que assinou seu nome foi um cavalinho. O nome Sil, aliás, vem ainda de criança  —  era assim como era chamada pelos seus pais, que davam apelidos a cada um de seus filhos. ‘Aí eu comecei a assinar como Sil. Ainda pensei em assinar Luciene, mas não, Sil é um nome que trago de muito tempo’, conta a artista.

No começo eram cavalinhos, bois e pequenos bonecos. Ao longo dos anos, Sil imprimiu estilo próprio à sua obra. A experiência de vida e os costumes de seu povo são transmitidos às peças com um realismo e um esmero que impressionam. Todas apresentam expressões fortes  —  são homens e mulheres do povo, festas de casamento, namorados, brincadeiras de criança e cenas da vida na roça retratadas com suavidade e grande riqueza de detalhes. A jaqueira, árvore abundante na zona da mata alagoana, é um elemento onipresente em sua obra e, como ela mesma afirma, sua marca registrada.

Do casamento com André, Sil tem três filhas  —  e uma delas, Andressa, segue os passos da mãe. 

As obras de Sil já fizeram parte do acervo de várias exposições realizadas em todo o país, e podem ser encontradas nas mais conceituadas galerias de arte.

Na imagem, a peça em barro aparece ao lado de telas de José Cláudio e escultura de Marcelo Silveira. 

Acesse mais obras na página Arte e Design.

escultura em barro  |  Sil de Alagoas

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